No último mês de julho, fiz uma viagem turística pela Europa. Fui sem nenhuma expectativa, como costumo fazer nas minhas viagens, mas essa mudou a minha vida; para mim, há um antes e um depois.
Parti para Madri no dia 18 de julho sem ter a menor ideia do que me esperava por lá; só tinha certeza de uma coisa: o Tomorrowland. A viagem foi planejada inteiramente para realizar esse sonho; nós a organizamos com alguns amigos, e isso era o principal — o resto foi um bônus.
Tenho consciência de que nem todo mundo costuma ter a oportunidade de viver uma experiência assim; por isso, a primeira coisa que devo dizer é que sei que sou uma pessoa abençoada. Por outro lado, sempre achei que a vida é muito curta e que, enquanto estivermos vivos, precisamos aproveitar ao máximo. No dia em que partirmos deste mundo, não podemos levar nada conosco; temos que devolver tudo. Como diz o ditado: “Ninguém tira de ninguém o que já foi dançado”.
Quando me propuseram a possibilidade de ir a esse festival, não pensei muito e disse que sim; estava na minha lista de desejos. Quem me conhece sabe que sou um devoto e tenho uma grande conexão com minha espiritualidade. Quando parti da Colômbia, pedi ao universo que me mostrasse o que tivesse para me mostrar; demorei mais tempo para pedir do que a vida levou para começar a colocar pessoas, situações e informações ao meu alcance. A viagem durou apenas duas semanas, mas pareceu que eu tinha passado dois meses por lá. Vou fazer um relato em outro post para contar os acontecimentos da viagem; este post não é para isso.
O Tomorrowland é, com toda a razão, o melhor festival do mundo. Acho que é uma experiência que todo mundo deveria viver; depois entro em detalhes. O mais importante é que conheci alguém lá, uma DJ. Conversamos longamente; ela me contou sobre sua vida, sua trajetória nesse mundo e como conseguiu um espaço para se apresentar lá, o que não é pouca coisa. A vida me mostrou um espelho muito nítido; por meio dela, pude entender o quanto ainda tenho a explorar e como eu mesmo tenho sido quem mais se encarregou de me sabotar.
Conhecer essa mulher, de certa forma, foi como conhecer uma versão de mim mesmo de um universo paralelo. E vi perfeitamente como minha vida poderia ser se eu decidisse tomar as decisões que me levariam ao que anseio no fundo do meu coração. Não estou dizendo que tenho pela frente o mesmo caminho que ela nem que algum dia vou me apresentar no Tomorrowland, mas sim que, se eu decidir levar minha vida a sério e deixar de lado tantos empecilhos, poderia estar onde eu quisesse.
Se eu decidir levar minha vida a sério e deixar de lado tantos empecilhos, poderia estar onde eu quisesse.
E é que, apesar de estar onde estou, cheguei até aqui sem acreditar em mim mesmo. É curioso, porque outras pessoas me dizem que sempre viram em mim um homem empoderado e bem-sucedido, mas, na verdade, eu não tive fé em mim mesmo. Em vez disso, sempre me concentrei em me diminuir, em tentar não brilhar demais para não incomodar. Sempre tentando passar despercebido ou, como alguns dizem, “manter um perfil discreto” (quanto mais ignorado, melhor).
Por muito tempo, carreguei uma grande frustração, pois, ao me expor ao mundo exatamente como sou, isso tinha sido motivo de rejeição. Achei que houvesse algo de errado comigo; finalmente consegui entender que nunca houve nada de errado comigo — muitos se incomodam ao ver o poder que existe nas outras pessoas, e era exatamente esse o incômodo que eu despertava nos outros. Mas isso acabou.
Voltei da Europa totalmente decidido a enfrentar o propósito para o qual vim a este mundo. Acho que, se nasci com tantos dons e capacidades, é por alguma razão; a única coisa de que precisava era acreditar em mim mesmo. Reconheço que sou um esquisito, daqueles que não se vêem muito por aí, que perdeu o medo de se expor em público e, assim como eu, tenho certeza de que no mundo existem muitos outros esquisitos.
É por isso que este post se chama “Oi, bichinho” (e que “bicho” é marca registrada do CR7, haha), é mais um termo carinhoso. Você, bichinho que está me lendo, também veio a este mundo para brilhar; eu consigo, todos nós conseguimos.
